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sábado, 23 de maio de 2009

Obras da Carne


(Gálatas 5:19-25)
19- Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: adultério, prostituição, impureza, lascívia,
20- Idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias,
21- Invejas, homicídios, bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus.

Carne” (gr. sarx) é a natureza pecaminosa com seus desejos corruptos, a qual continua no cristão após a sua conversão, sendo seu inimigo mortal (Rm 8.6-8,13; Gl 5.17,21).

Aqueles que praticam as obras da carne não poderão herdar o reino de Deus (5.21).

Por isso, essa natureza carnal pecaminosa precisa ser resistida e mortificada numa guerra espiritual contínua, que o crente trava através do poder do Espírito Santo (Rm 8.4-14; ver Gl 5.17).
(1) “Prostituição” (gr. pornéia), i.e., imoralidade sexual de todas as formas. Isto inclui, também, gostar de quadros, filmes ou publicações pornográficos (cf. Mt 5.32; 19.9; At 15.20,29; 21.25; 1Co 5.1). Os termos moichéia e pornéia são traduzidos por um só em português: prostituição.

(2) “Impureza” (gr. akatharsia), i.e., pecados sexuais, atos pecaminosos e vícios, inclusive maus pensamentos e desejos do coração (Ef 5.3; Cl 3.5).

(3) “Lascívia” (gr. aselgeia), i.e., sensualidade. É a pessoa seguir suas próprias paixões e maus desejos a ponto de perder a vergonha e a decência (2Co 12.21).

(4) “Idolatria” (gr. eidololatria), i.e., a adoração de espíritos, pessoas ou ídolos, e também a confiança numa pessoa, instituição ou objeto como se tivesse autoridade igual ou maior que Deus e sua Palavra (Cl 3.5).

(5) “Feitiçarias” (gr. pharmakeia), i.e., espiritismo, magia negra, adoração de demônios e o uso de drogas e outros materiais, na prática da feitiçaria (Êx 7.11,22; 8.18; Ap 9.21; 18.23).

(6) “Inimizades” (gr. echthra), i.e., intenções e ações fortemente hostis; antipatia e inimizade extremas.

(7) “Porfias” (gr. eris), i.e., brigas, oposição, luta por superioridade (Rm 1.29; 1Co 1.11; 3.3).bv

(8) “Emulações” (gr. zelos), i.e., ressentimento, inveja amarga do sucesso dos outros (Rm 13.13; 1Co 3.3).

(9) “Iras” (gr. thumos), i.e., ira ou fúria explosiva que irrompe através de palavras e ações violentas (Cl 3.8).

(10) “Pelejas” (gr. eritheia), i.e., ambição egoísta e a cobiça do poder (2Co 12.20; Fp 1.16,17).

(11) “Dissensões” (gr. dichostasia), i.e., introduzir ensinos cismáticos na congregação sem qualquer respaldo na Palavra de Deus (Rm 16.17).

(12) “Heresias” (gr. hairesis), i.e., grupos divididos dentro da congregação, formando conluios egoístas que destroem a unidade da igreja (1Co 11.19).

(13) “Invejas” (gr. fthonos), i.e., antipatia ressentida contra outra pessoa que possui algo que não temos e queremos.

14) “Homicídios” (gr. phonos), i.e., matar o próximo por perversidade. A tradução do termo phonos na Bíblia de Almeida está embutida na tradução de methe, a seguir, por tratar-se de práticas conexas.

(15) “Bebedices” (gr. methe), i.e., descontrole das faculdades físicas e mentais por meio de bebida embriagante.

(16) “Glutonarias” (gr. komos), i.e., diversões, festas com comida e bebida de modo extravagante e desenfreado, envolvendo drogas, sexo e coisas semelhantes.

As palavras finais de Paulo sobre as obras da carne são severas e enérgicas: quem se diz crente em Jesus e participa dessas atividades iníquas exclui-se do reino de Deus, i.e., não terá salvação (5.21; ver 1Co 6.9).

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Usos e costumes, alguns absurdos... outros bons!!!

Usos e costumes... todos temos costumes, os países tem costumes, as igrejas tem costumes, os índios tem costumes...tendo ou não usos e costumes, o importante é não perder a comunhão com Deus.
Sabemos que variam de lugar para lugar. Não há um padrão. Já a lei do Senhor é universal. Usos e Costumes não tratam de mandamentos. São apenas estilos de ser, comer, vestir e de falar. Não tratam diretamente com a lei divina. Mas apenas uma questão cultural.Doutrina bíblica - é universal
Opinião - é individual
Usos e costumes - é cultural

Não podemos obrigar um índio convertido e que que convive em seu habitat natural a se vestir como um ocidental. Aqui no Brasil um homem vestido de saia seria um escândalo, mas já na Escócia alguns homens ainda usam saias. Como faz a tradição daquele país. Em fim, o Evangelho de Jesus e nem os mandamentos universais da Bíblia levam em consideração essa questão. Isso tudo é dogma da Igreja ou mandamento local da Bíblia (digo voltado para aquele povo, para aquela época). Não que "usos e costumes" seja mau. Mas é porque não tem poder contra o pecado. Pode ter uma aparência de piedade, mas não vence a natureza pecaminosa que está dentro do homem. E no final acaba impondo um jugo insuportável ao povo de Deus:

"Ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados... Se morrestes com Cristo para os rudimentos do mundo, por que, como se vivêsseis no mundo, vos sujeitais a ordenanças: não manuseies isto, não proves aquilo, não toques aquiloutro, segundo os preceitos e doutrinas dos homens? Pois que todas estas coisas, com o uso, se destroem. Tais coisas, com efeito, têm aparência de sabedoria, como culto de si mesmo, e de falsa humildade, e de rigor ascético; todavia, não têm valor algum contra a sensualidade". Cl.2.16,20-23.

Alguns usos e costumes são bons, outros, absurdos...alguns, exagerados, outros, antibíblicos. Isso no meio evangélico. Conhece algum?Alguns exemplos
em 1958, todos homens crentes tinham que usar chapéu...
bigode crescido? pecado.
frequentar a escola dominical durante 1 ano, ler toda a Bíblia e depois ser... batizado
Clamar pelo sangue de Jesus antes de todos os cultos e reuniões
Começar as oração individual com o clamor pelo sangue de Jesus
Consultar a Palavra para definir situações corriqueiras da vida
Verificar a veracidade dos dons através da Consulta à Palavra
Proibição de dançar ou bater palmas durante os cultos e reuniões
Não utilizar alguns intrumentos musicais às vezes considerados menos santos
Não cantar e até evitar ouvir hinos de outros grupos denominacionais
O uso excessivo de cultos durante a quase-madrugada
O caráter quase fechado de algumas reuniões e seminários
A proibição do uso da calça-comprida para as mulheres
Evitar o uso de roupas sem manga para as mulheres
A obrigatoriedade da calça para os homens (proibição da bermuda)
Não permitir aos homens barba, cavanhaque, cabelo pintado ou comprido
A convenção do uniforme terno-e-gravata mesmo em dias quentes
Evitar qualquer mudança na rotina dos cultos e reuniões
Estimular o não questionamento às decisões do presbitério
Proibir a ornamentação durante cultos especiais (formatura e casamento)
Não aceitar qualquer quebra de protocolo, mesmo em cultos especiais
Não comemorar datas como natal, páscoa e dia dos namorados
Batizar as pessoas somente aos quinze anos de idade
Desestimular um relacionamento entre pessoas de diferentes denominações
Proibir atividades de lazer como praia, cinema, teatro e estádios
Falta com a participação na evangelização de outras denominações
Olhar de forma negativa as visitas em outras denominações
Criticar a maneira evangelística de outros grupos denominacionais
Chamar todas as igrejas de religião (que só seguem os homens) e se auto denominar "obra revelada" (que só segue as orientações vindas diretamente do Espírito Santo).

Não permitir mulheres de usar brincos de argola.

Não permitir que os membros com atividades na igreja viajem sem dar satisfações para aonde vão e sem receber imposição de mãos na ida e na volta, para poderem retornar as atividades.

Só utilizar instrumentos "consagrados" para tocar na igreja e não tocar sob hipótese alguma musicas mundanas nesses instrumentos musicais sob pena de pecado e ficar oprimido. Alguns consideram que o próprio objeto fica "oprimido" e pode transmitir a opressão.

Orientar os jovens que estão prestando vestibular para irem pedir orientações no Grupo de Intercessão, para saberem se Deus se agrada das profissões que estão escolhendo.

Considerar pastores apenas os quem foram "ungidos" por revelação na "obra". Não considerar outros pastores porque foram ordenados em uma estrutura humana de ensino.

Abominar comidas típicas ligadas a alguma religião em feriados "consagrados" a idolos.

Abominar qualquer tipo de imagem ou objeto considerado "idolatria", retirando estes objetos das suas casas debaixo de uma "reza" chamada Clamor pelo Sangue de Jesus.
Não ler a Bíblia abundantemente, pois a "letra" mata.
proibição de saia ou calças jeans
não cortar cabelo
... não usar maquilagem...
não assistir TV...
Homem de um lado e mulher do outro no culto...

E esses costumes da Igreja “Assembléia de Deus dos Últimos Dias” (Brasil), liderada por Marcos Pereira da Silva, e retiradas do seu site:

“NÃO CRIAR ANIMAIS: Seja cachorro, gato, periquito, papagaio, peixes…, qualquer espécie ou tipo de bichinhos de estimação (pelúcia). Isto se dá aos animais serem seres irracionais, incapazes de se defenderem de ataques de espíritos malignos, trazendo males como enfermidades, dissensão, improsperidades e etc. Em Mc cap. 5 vimos um exemplo disto, onde os porcos não foram capazes de se defenderem dos demônios.

NÃO TER PLANTAS: Lembramos que as plantas também possuem vida. Em Salmos cap. 148 vers 9, diz que os outeiros e árvores frutíferas louvam ao Senhor. Por isso não podemos tê-las presas em vasos. Pois também há possibilidade dos espíritos maus se esconderem nas tais, como nos animais.

NÃO BEBER COCA-COLA: Motivos: não conhecermos sua procedência nem seus ingredientes. E estão cientificamente comprovados os seus muitos malefícios a saúde e revelado por Deus.I Co 3:16-18. Desde de 1990 que não ingerimos tal bebida, e há pouco tempo ouvimos rumores sobre um informe da Polícia Federal que ela contém uma droga prejudicial ao homem.

NÃO TER HÁBITO DE LER JORNAIS OU REVISTAS: Devido o trabalho que efetuamos, através dos egressos do sistema penitenciário, a mídia escrita está sempre nos procurando para saber mais do que desenvolvemos junto aos encarcerados. Sendo assim usamos os jornais e as revistas, quando há algo a respeito das causas de Cristo.”

fonte: http://ovelhaperdida.wordpress.com/2007/09/13/ultimos-dias-mesmo/


“Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis. Nisto TODOS conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros.” João 13: 34-35

Se a igreja (não falo de denominações, mas do corpo de Cristo na Terra), desse prioridade a estas palavras de nosso Senhor, certamente não estaríamos gerando tanto atrito e confusão, muitas vezes até mesmo controntando o irmão, por causa de sua aceitação ou não ao uso de tatuagens, piercings, cabelos longos, coloridos, adereços, roupas….

terça-feira, 19 de maio de 2009

O fruto do Espírito



Vamos estudar, aprender e comentar um pouco!
(Gálatas 5:22-25)

22- Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança.
23- Contra estas coisas não há lei.
24- E os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências.
25- Se vivemos em Espírito, andemos também em Espírito.



Em contraste com as obras da carne, temos o modo de viver íntegro e honesto que a Bíblia chama “o fruto do Espírito”.

Esta maneira de viver se realiza no crente à medida que ele permite que o Espírito dirija e influencie sua vida de tal maneira que ele (o crente) subjugue o poder do pecado, especialmente as obras da carne, e ande em comunhão com Deus (ver Rm 8.5-14 nota; 8.14; cf. 2Co 6.6; Ef 4.2,3; 5.9; Cl 3.12-15; 2Pe 1.4-9).

O fruto do Espírito inclui: (1) “Caridade” (amor) (gr. agape), i.e., o interesse e a busca do bem maior de outra pessoa sem nada querer em troca (Rm 5.5; 1Co 13; Ef 5.2; Cl 3.14).

(2) “Gozo” (gr. chara), i.e., a sensação de alegria baseada no amor, na graça, nas bênçãos, nas promessas e na presença de Deus, bênçãos estas que pertencem àqueles que crêem em Cristo (Sl 119.16; 2Co 6.10; 12.9; 1Pe 1.8; ver Fp 1.14).

(3) “Paz” (gr. eirene), i.e., a quietude de coração e mente, baseada na convicção de que tudo vai bem entre o crente e seu Pai celestial (Rm 15.33; Fp 4.7; 1Ts 5.23; Hb 13.20).

(4) “Longanimidade” (gr. makrothumia), i.e., perseverança, paciência, ser tardio para irar-se ou para o desespero (Ef 4.2; 2Tm 3.10; Hb 12.1).

(5) “Benignidade” (gr. chrestotes), i.e., não querer magoar ninguém, nem lhe provocar dor (Ef 4.32; Cl 3.12; 1Pe 2.3).

(6) “Bondade” (gr. agathosune), i.e., zelo pela verdade e pela retidão, e repulsa ao mal; pode ser expressa em atos de bondade (Lc 7.37-50) ou na repreensão e na correção do mal (Mt 21.12,13).

(7) “Fé” (gr. pistis), i.e., lealdade constante e inabalável a alguém com quem estamos unidos por promessa, compromisso, fidedignidade e honestidade (Mt 23.23; Rm 3.3; 1Tm 6.12; 2Tm 2.2; 4.7; Tt 2.10). (8) “Mansidão” (gr. prautes), i.e., moderação, associada à força e à coragem; descreve alguém que pode irar-se com eqüidade quando for necessário, e também humildemente submeter-se quando for preciso (2Tm 2.25; 1Pe 3.15; para a mansidão de Jesus, cf. Mt 11.29 com 23; Mc 3.5; a de Paulo, cf. 2Co 10.1 com 10.4-6; Gl 1.9; a de Moisés, cf. Nm 12.3 com Êx 32.19,20).

(9) “Temperança” (gr. egkrateia), i.e., o controle ou domínio sobre nossos próprios desejos e paixões, inclusive a fidelidade aos votos conjugais; também a pureza (1Co 7.9; Tt 1.8; 2.5).

O ensino final de Paulo sobre o fruto do Espírito é que não há qualquer restrição quanto ao modo de viver aqui indicado. O crente pode — e realmente deve — praticar essas virtudes continuamente. Nunca haverá uma lei que lhes impeça de viver segundo os princípios aqui descritos.





quinta-feira, 14 de maio de 2009

Mulheres, Calem a Boca


Mulheres, Calem a Boca???
Por Sha'ul Bentsion
(Pérola do Aramaico)


Uma das passagens mais difíceis de digerir nas Escrituras é onde supostamente
Rav. Sha'ul (Paulo) ordena que as mulheres calem a boca. Por muito tempo, eu
mesmo me senti bastante desconfortável com tal passagem, buscando entender o
contexto de modo a tentar esclarecer o que aparentava ser uma demonstração de
machismo por parte de Rav. Sha'ul.


O texto das filhas de Bavel (Babilônia) diz:

"As mulheres estejam caladas nas igrejas; porque lhes não é permitido falar;
mas estejam submissas como também ordena a lei. E, se querem aprender alguma coisa, perguntem em casa a seus próprios maridos; porque é indecoroso para a mulher o falar na igreja." (1 Co 14:34-35 – Almeida, do Grego)

Além do evidente machismo, há duas coisas que não batem aqui com o restante das
Escrituras. A primeira é que a Torá nunca ordenou que as mulheres ficassem caladas.
A segunda é o desencorajar as mulheres a quererem aprender da Palavra nas congregações.
A própria atitude de Yeshua é contrária a isso.
Será que o aramaico tem algo a nos ensinar? Poderia o grego estar fazendo alguma
leitura equivocada do aramaico?

A resposta é sim! E o problema encontra-se em quatro expressões do aramaico, que o
tradutor grego, talvez por desconhecer a cultura semita, se equivoca ao traduzir.
A primeira delas é "shatiycan", traduzida pelo grego como "calar-se". O problema é que "shatiycan" não significa calar-se, mas sim acalmar-se. É uma expressão usada particularmente para quando alguém está exaltado.

A segunda é "d'anmalan", que é uma expressão rara no aramaico bíblico, e que é traduzida pelo grego como "falar". Porém, é melhor entendida como um "falar exaltadamente". Essa expressão ainda vem junto com "aela", que significa "lamentar em voz alta".
Temos portanto "d'anmalan aela" como um "bate-boca." Ou seja, as mulheres de Corinto não estavam falando ou indagando normalmente, mas sim estavam batendo boca.

A terceira é "d'shalan l'bayelaehin", que pode significar "perguntar ao marido" mas também "ter paz com o marido." Dentro do contexto de "d'anmalan", vemos que a traduzção que mais cabe é de fato "ter paz com o marido."
Por fim, temos a expressão "d'nialpan" que pode ser traduzida como "aprender" ou "ensinar".

O grego opta por "aprender", reduzindo o aprendizado a mulher ao lar, o que contraria as Escrituras. Porém, se entendermos aqui "d'nialpan" como "ensinar", temos Rav. Sha'ul (Paulo) dizendo para as mulheres (dentro do contexto acima): Se querem ensinar alguma coisa, tende paz. Ou seja, ninguém consegue ensinar nada brigando. Muito mais razoável para o contexto.

Reparem também que o contexto do versículo anterior, que fala de confusão nas kehilot (Congregação) como não procedendo de D-us também favorece a leitura aramaica, em detrimento da grega.

Entendida a sucessão de trapalhadas do tradutor grego, responsáveis por algumas das piores atitudes machistas nas congregações, temos a tradução literal a partir do aramaico:

"porque Elohim não é Elohim de confusão, mas sim de shalom. Como em todas as kehilot dos santos, mulheres: fiquem calmas na kehilá (igreja). Não é portanto permitido brigar, conforme afirma a Torá (Lei).

Se desejarem ensinar algo em vossos lares, tende paz com vossos maridos.
Vergonhosa é para a kehilá a briga." (1 Coríntios 14:33-35 do aramaico

Vergonhosa é a briga, e não a mulher que anseia por aprender da Palavra.
Outra passagem extremamente controversa encontra-se na primeira carta de Rav. Sha’ul
(Paulo) a Timóteo, no segundo capítulo.
Lemos o seguinte na versão das filhas de Bavel:
“A mulher aprenda em silêncio com toda a submissão. Pois não permito que a mulher
ensine, nem tenha domínio sobre o homem, mas que esteja em silêncio.” (1 Timóteo
2:11-12, Almeida – do Grego)
Essa passagem também tem sido usada para convencer as mulheres a se sujeitarem ao
jugo da dominação masculina. Curioso seria que Rav. Sha’ul (Paulo) dissesse que não é
lícito que uma mulher domine sobre um homem (no sentido de ser sobre ele), quando
temos na história de Israel pessoas como D’vorah (Débora), que foi juíza sobre o povo.
Será que Rav. Sha ’ul (Paulo) estava indo contra o Tanach?
Também não é verdade que tal tendência tenha vindo do Judaísmo, pois como já
estudamos aqui, as mulheres eram extremamente ativas na comunidade primitiva. A
filha do Rebe Akiva, por exemplo, era uma figura que ensinava até a homens.
Mas então, o que será que diz o aramaico?
Segue a passagem literal:
“an'taa b'shelyaa hoat yalp'aa b'kul shuobedad l'an'taa geir l'malapuo loa mepas ana
l'mamrachuo eal ga'bra aela t'hoea” (1 Timóteo 2:11-12 – Peshitta)

A tradução literal, palavra por palavra, seria:

“esposa com calma seja ensinar em tudo com alegria à esposa portanto convencer eu
não ouse trazer homem queixa fique calma”
Arrumando a frase, temos a seguinte tradução a partir do aramaico:

“Seja todo o ensinar da esposa com calma e com alegria. Estou convencido, portanto,
que a esposa não deve trazer queixa do marido, mas deve ficar calma.”(1 Timóteo
2:11-12 – Teshuvá 2ª Edição – A partir do aramaico)
Agora reparem no contexto. Logo acima desse texto, Rav. Sha’ul (Paulo) fala sobre
sobriedade na congregação. O que então estava acontecendo na comunidade???

Mulheres estavam se aproveitando do momento em que tinham a palavra para ensinar, e estavam trazendo A PÚBLICO queixas de seus maridos. O ensinar estava sendo uma
desculpa para jogar pedras no marido, e tentar obter aprovação da congregação no
assunto. Isso porque possivelmente as mulheres tinham pouca voz ativa dentro de casa,
e por isso queriam se valer da congregação para tentarem prevalecer em seus
argumentos.
Aliás, isso é algo que é possível ver mesmo hoje em dia. A recomendação de Rav.
Sha’ul (Paulo) é clara: tenham calma no ensinar, e evitem alfinetar uns aos outros.
Em suma, poderíamos resumir com o famoso ditado que temos no português: “roupa suja se lava em casa.”
Em nenhum momento o aramaico dá qualquer indício de que Rav. Sha’ul (Paulo) teria
mandado as mulheres aprenderem caladas. Até porque, no contexto semita, faz parte e é
considerada saudável a exposição e o debate dos textos, onde todos são encorajados a
participarem.
Infelizmente, o grego contribuiu para que o machismo fosse justificado por tal tradução
odiosa. Baruch HaShem porque o Eterno nos revela a verdade!



http://www.torahviva.org/jn.htm

Aqui fica o link para poderem consultar e comentar.

sábado, 9 de maio de 2009

Fanatismo e Êxtase, da Ignorância ao Misticismo

Raniere Menezes



Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas operando grandes sinais e prodígios para enganar, se possível, os próprios eleitos. Mateus 24:24

Não é raro encontrar pessoas que se dizem crentes relatarem testemunhos “sobrenaturais”, “sinais e maravilhas”, “mistérios”, etc. Vigílias onde coisas estranhas acontecem, gente que vê folhas de árvores douradas, prateadas, brilhantes, reluzentes ou pegando fogo. Falar em vocábulos estranhos e “sentir” Deus enviando Sua Palavra são coisas mais do que “normais” para vários grupos evangélicos. Cultos onde pessoas choram, riem, batem palmas, caem, convulsionam, e tudo de forma descontrolada.

Igreja evangélica, hoje, é sinônimo de concentrações de pessoas e múltiplas manifestações físicas, gente que marcha como soldado de um lado para o outro, gente que fica rodopiando e gesticulando como animais, ruídos estranhos, experiências de “sair” do corpo e voar por cima das outras pessoas, visões de anjos e pétalas de rosas caindo do céu, visões de entidades monstruosas, viagens ao céu, viagens ao inferno, enfim, fanatismo e êxtase.

É inútil relatar tantas esquisitices. O que importa dizer é que essa religiosidade mística é predominante no Brasil, e de uns anos para cá, sorrateiramente isso tem influenciado o comportamento de muitos protestantes históricos, que agora, querem ser chamados de “RENOVADOS”. Até a IPB – Igreja Presbiteriana do Brasil – que possuía o símbolo da sarça (a antiga sarça emblema da Igreja da Escócia) inseriu há um tempo uma “pomba” no centro da sarça por causa dessa influência pentecostalizada. Este fato é apenas um pequeno exemplo do poder de interferência dos chamados carismáticos sobre as igrejas históricas. Não são poucas as igrejas históricas que vem sofrendo ascendência mística.
Em geral, a religiosidade evangélica de hoje está abraçada a uma espécie de neopaganismo. O conceito do panteísmo ganhou nova roupagem. Deus agora “é fácil”. A Bíblia não é mais a única regra de fé e prática como diziam os antigos cristãos. Quanto maior a ignorância bíblica, mais forte o misticismo.

Hoje se fala muito em “culto festivo” – Princípio Regulador de Culto, nem falar! -, parece um bem intencionado discurso, mas de onde vem toda essa “festividade”? Alguns querem justificar seus cultos “renovados e festeiros” reportando-se ao povo judeu em suas peregrinações, mas uma exegese superficial logo demonstra que o judaísmo nunca teve liturgia de culto festiva, nem no templo nem na sinagoga – peregrinação não é culto! - Liturgia festeira é coisa da cultura africana e indígena. E não precisa ser antropólogo para saber disso.

As pessoas querem transcender. A busca da embriaguez mística é o objetivo dos cultos. Falar em linguagem estranha, ter visões e “profetizar”, ser arrebatado em espírito, “voar”, etc. Essas coisas têm muito mais semelhança com o misticismo afro-indígena. Não há qualquer tradição judaico-cristã nessa contemplação do incompreensível.

O uso racional da cabeça em conhecer algo está sendo substituído por um mergulho de cabeça nas experiências. Muita gente não está interessada em CONHECER os atributos de Deus e Sua vontade, mas “tocar” no Seu trono, nas Suas vestes, “experimentar” a liturgia dos anjos. É preferível experimentar uma força subjetiva, uma energia, e não ficar aprisionado no mundo racional que ouve algo inteligível. A fórmula “mágica” é esvaziar o púlpito de todo conteúdo doutrinário objetivo e encher as pessoas de revelações subjetivas e emocionais. Temos adoradores com paralisia intelectual!
No lugar de se invocar a Santíssima Trindade e humilhar-se em Sua presença, os invocadores apelam à presença de um Deus por demais imanente, como se fosse um de nós, e invocam e evocam muito mais os anjos e os demônios. Acham que podem achegar-se a Deus como bem entendem.

O movimento carismático ou pentecostal é uma forma moderna de misticismo, porque é fundamentado não na doutrina dos apóstolos, mas num conceito de fé irracional e irreal. O movimento é atraente porque muitas pessoas não querem CONHECER as Escrituras, mas querem “algo mais” (e de preferência: rápido e fácil). John MacArthur Jr., teólogo contemporâneo, crítico ferrenho do misticismo, observou de forma cuidadosa que existe uma intolerância teológica quanto ao ensino bíblico por parte dos evangélicos pentecostalizados. Escreveu ele: “As experiências místicas não se alinham com a verdade bíblica, elas afastam as pessoas da verdade de Cristo. As pessoas começam a buscar experiências paranormais, fenômenos sobrenaturais e revelações especiais – como se nossos recursos em Cristo não fossem o bastante” (...) “Os sentimentos se tornam mais importantes do que a própria Bíblia”.

O crescimento numérico dos evangélicos no Brasil é algo significativo. E existe uma estatística bem interessante e curiosa sobre um determinado segmento: o que cresceu não foi tanto o número de protestantes históricos, mas o número de pentecostais que pulou de 8,1 milhões em 1991, para 17,6 milhões em 2000. Atualmente os pentecostais representam quase 68% dos evangélicos. Ora, é exatamente esse movimento que tem influenciado quase todas as alas do protestantismo. A influência vem daí, e eles [os pentecostais] são influenciados por líderes despreparados, emergentes e místicos. Um novo xamã ressuscitou no Brasil. Se conseguimos vestir calções de futebol nos índios e também ensinamos a usar a Internet, eles agora estão de “terno e gravata” influenciando a teologia.
Em várias localidades a diferença entre uma igreja evangélica renovada (que se diz mais séria) e uma igreja pentecostalizada está somente nos decibéis. Seus vizinhos que o digam. O que é que se pode esperar de um encontro emotivo onde o culto é uma válvula de escape? Gente fraca é presa fácil das falsas promessas do misticismo.

No início do século passado os protestantes brasileiros acusavam os católicos romanos de sincretismo religioso com os elementos da religiosidade africana. Eles também foram criticados por sua religiosidade popular sincretista com os espíritas, e também com traços cúlticos da religiosidade indígena. Mas hoje os canhões mudaram de alvo, podemos dizer que, literalmente, o tiro saiu pela culatra. Hoje temos o império pós-modernista-da-igreja-evangélica-tupiNão precisamos estudar antropologia para saber que “culto de libertação” é religiosidade pagã. Antigamente, no tempo em que éramos protestantes, ouvia-se os salmos metrificados, hoje se ouve louvorzão “mantrificado” (neologismo derivado de “mantra” – palavra, som monossilábico ou verso usado de forma repetitiva e musicada proporcionando um estado contemplativo-místico). Os chamados “levitas” modernos encantam seus ouvintes por horas, até deixá-los “soltos” e leves.

As grandes doutrinas da graça, chão firme e sólido para a caminhada cristã, são substituídas por diálogos retóricos agressivos sobre os males da existência. Hoje ouvimos muito mais discursos sobre sofrimentos, dores, doenças, filhos, solidão, separação, desemprego, marginalidade, vícios, prostituição, brigas, traições, “encostos”, libertação, poder, prosperidade, miséria material, do que: Autoridade das Escrituras, o Ser de Deus, os Decretos Soberanos de Deus, obediência ao Criador, o louvor de Sua Providência, sobre a Corrupção da natureza humana, a exigência da Justiça de Deus, do Pacto Eterno de Deus com Seu povo eleito, da cruz de Cristo, dos ofícios do Senhor Jesus Cristo, da Justificação pela fé, da Regeneração, da Adoção, da Santificação, da Fé Salvadora, da vida cristã de arrependimento, da certeza da graça e da salvação, da Lei de Deus, do Dia do Senhor e do Princípio Regulador de Culto, da Ressurreição, do Juízo e da ira de Deus, enfim, das Doutrinas (com “d” maiúsculo) cristãs históricas.

Muitos pregadores ruidosos gostam de vociferar o lema: “abaixo os dogmas! Abaixo os dogmas!” (mas, o que é mesmo dogma?, alguém pergunta. “Sei, lá!” é a resposta). Acredito que temos um problema diante de nós que poucos ou ninguém quer mexer. As doutrinas cristãs que realmente alimentam o rebanho de Cristo não vêm em forma de revelação extra-bíblica, elas precisam ser sistematizadas, racionalizadas e discursadas. E a maioria dos evangélicos (e por que não dizer dos brasileiros) é analfabeta funcional, ou seja, sabe soletrar e ler, mas não entende o conteúdo. Portanto é muito mais fácil “conectar-se” com Deus de forma intuitiva, sem ter de ouvir ou estudar doutrina. Muitos cristãos estão marchando em êxtase numa busca do extraordinário, e sob seus pés não se encontra Satanás, mas as Escrituras estão sendo pisoteadas!
O Pr. Isaías Lobão P. Jr., fez algumas observações interessante ao resenhar o livro de John Stott, Crer é também pensar (publicado aqui no site), eis um trecho: “No primeiro capítulo, Cristianismo de Mente Vazia, Stott desafia a tendência anti-intelectual de muitos crentes. Baseados na filosofia secular do pragmatismo, muitos crentes abandonam a doutrina em busca da prática. Stott critica esses crentes afirmando que toda boa doutrina é sempre acompanhada de um ensino prático. Ele cita três grupos que fazem isto: os católicos (e acrescento, muitos evangélicos) que ritualizam sua relação com Deus, mecanizando sua relação com Deus. O segundo grupo, os cristãos radicais que concentram suas energias na ação social e na preocupação ecumênica. Se bem que este grupo seja (ainda) pequeno no evangelicalismo brasileiro, é uma postura bastante comum entre os crentes britânicos. Sua luta social esconde uma ignorância e desprezo pela doutrina. O terceiro grupo alistado por Stott, são os crentes pentecostais. (esses nós temos de sobra!). A busca incessante dos pentecostais por experiências com Deus, os leva, geralmente, a colocar o subjetivismo e o emocionalismo acima da doutrina bíblica”.
A busca incessante dos pentecostais por experiências com Deus, os leva, geralmente, a colocar o subjetivismo e o emocionalismo acima da doutrina bíblica”. Que podemos dizer? A tendência anti-intelectualista necessariamente exclui uma reforma genuína. Uma nova reforma não virá através dos manipuladores de emoções.

Mais um dado surpreendente (que não surpreende mais), uma matéria do Jornal Nacional que foi ao ar dia 26/11/04, mostrou um índice alarmante de reprovação da OAB – Ordem dos Advogados do Brasil. – Os estudantes de Direito brasileiros bateram todos os recordes de incapacidade: reprovação de 91,5% (Isso mesmo: quase 100%!!!). Ou seja, 18 mil bacharéis em Direito não estão em condições mínimas para ingressar no mercado de trabalho! Isto reflete o nível de educação no Brasil de forma conclusiva.

“Surpreende e aborrece”, disse o presidente da OAB de São Paulo, Sr. D’urso. Vale a pena transliterar um trecho da reportagem: “Justiça seja feita: segundo especialistas na preparação de candidatos, o problema não está apenas no ensino superior. Faculdade fraca atrapalha, mas para muitos aspirantes a advogado O MAIOR OBSTÁCULO É MESMO A LÍNGUA PORTUGUESA, diz a diretora de curso especializado, Rosângela Santos de Jesus Romano Matos: ‘Os alunos são tecnicamente muito bem preparados, mas quando chega a hora da prova ele não consegue passar pro papel todo o conteúdo técnico.’” Ora, se os nossos estudantes das ciências jurídicas e sociais estão desse jeito, que diremos dos estudantes de teologia de muitos seminários que mais se assemelham a um curso profissionalizante de baixa classificação? Como iremos ter uma nova reforma religiosa sem uma reforma educacional? Não se pode viver o cristianismo sem apologética, e isto requer discurso e recurso.
O CACP – Centro Apologético Cristão de Pesquisa – descreveu a etimologia da palavra “apologia” nesses termos: “Apologia dentro do contexto evangélico-eclesiástico, é a habilidade de responder com provas adequadas e sólidas a fé cristã perante as demais religiões. Já que o cristianismo é uma religião de fatos, ou como bem expressou certo apologista: ‘é uma religião que apela aos fatos da história’, ela se serve de tais meios para fundamentar seus argumentos.
“A apologia é parte inseparável da teologia, sendo que aquela, serve-se desta, para desenvolver um plano lógico e sistemático nas questões argumentativas concernentes á fé cristã.

“O cristianismo é uma religião que por sua natureza exclui quaisquer outros credos como verdadeiros, a não ser ele mesmo. Por isso, ele entra em choque com as demais religiões existentes, que são sem exceções, produtos das idéias dos homens, que na ânsia de sua procura pelo sagrado, por Deus, aliena-se nas suas próprias imaginações, resultado da depravação total da qual está sujeita a humanidade sem Deus. (...)
“Neste choque de crenças a apologia se torna indispensável. Ela nasce forçosamente como uma resposta ao ataque à sã doutrina que muitas vezes se apresenta sob diversas faces.
“Quase todas as epístolas foram escritas visando à defesa da fé cristã (no sentido de corrigir erros doutrinários) contra os ataques de fora, e muitas vezes de dentro da própria igreja.” (Paulo Cristiano). Como defender a fé sem SOLA SCRIPTURA? Como fundamentaremos argumentações sem as mínimas condições que a língua pátria exige?
A Reforma Protestante desencadeada na Alemanha não só precisou de Lutero, mas de Melanchton. Este teólogo era muito mais do que um reformador, era um educador. Sua obra como “ministro” da educação passou a ser sinônimo do seu nome. – “Pelo menos 56 cidades alemãs procuraram a sua ajuda na reforma de suas escolas. Ele ajudou a reformar oito universidades e a fundar outras quatro. Escreveu numerosos livros didáticos para uso nas escolas e mais tarde foi chamado o Instrutor da Alemanha” (fonte: Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã). – Precisamos de uma reforma não só teológica, mas educacional. Pois o misticismo é contrário ao conhecimento das Escrituras. E este é o problema que poucos ou ninguém quer mexer.

A Reforma foi um movimento altamente literário e o protestantismo genuíno é uma experiência literária. O movimento evangelical contemporâneo está na contramão da história da Igreja cristã. A ênfase hoje está em buscar respostas fora do que já foi dito nas Escrituras, em sinais e prodígios. Muitos só crêem quando vêem grandes milagres! Contrariando estas palavras:

Então, Jesus lhe disse: Se, porventura, não virdes sinais e prodígios, de modo nenhum crereis. Rogou-lhe o oficial: Senhor, desce, antes que meu filho morra. Vai, disse-lhe Jesus; teu filho vive. O homem creu na palavra de Jesus e partiu. (João 4.48-50).
Não sei até onde os pesquisadores fizeram suas elucubrações, mas acredito que boa parte da nossa miscelânea evangélica tupiniquim se dá por esses motivos:

1. Influência de elementos paganizados do catolicismo romano;
2. Influência de elementos litúrgicos afro-indígenas;
3. Influência da renovação carismática, subseqüentemente dos pentecostais – A origem do movimento é anti-intelectual;
4. Analfabetismo total e funcional da nação;
5. Maioria feminina. – As mulheres são mais suscetíveis ao misticismo. Embora não liderem (em grande parte, ainda) são as maiores sustentadoras dos trabalhos.
6. A busca de uma identidade e posicionamento social. – Pessoas pobres e simples saem do anonimato e conquistam um status de poder e influência “espiritualistas”.
7. A busca por soluções imediatas.

Admito que são muitos os fatores que contribuem para uma mentalidade mística, mas de uma forma ou de outra, essas são as bases do misticismo evangélico brasileiro. Pessoas que sentem um intenso desejo de relacionar-se imediatamente com o divino. Experiências intuitivas e extáticas nunca foram novidades na religiosidade popular. Mas no fundo, no fundo, o que há no misticismo é um escape para fugir da obediência da Palavra de Deus. Contudo, o conhecimento de Deus não permite atalhos! Não haverá reforma genuína enquanto o pentecostalismo (seja chamado de “carismáticos” ou “renovados”) não for corajosamente combatido! O SOLA SCRIPTURA foi um dos pilares da Reforma do Século XVI, experiências místicas não podem determinar a fé verdadeira. DEUS NOS DEU AS ESCRITURAS, NÃO HÁ OUTRA AUTORIDADE. A BÍBLIA É INFALÍVEL, INSPIRADA E SUFICIENTE. A base comum (e inerrante) de conhecimento nunca poderá ser uma revelação extra-bíblica. Muitos evangélicos, embora admitam a infabilidade das Escrituras, com suas práticas dizem que a Bíblia não é suficiente! A base da sua fé é a experiência, e a Suficiência das Escrituras é desprezada. A palavra de Cristo não é suficiente para esses “fanáticos, iludidos, desmiolados, imbecis, tratantes e cães danados” – (adjetivos que Calvino costumava chamar os místicos).

A livre interpretação da Bíblia é uma marca protestante, de maneira nenhuma podemos nem queremos proibir ninguém de interpretar as Escrituras por si mesmo. Há necessidade de uma boa hermenêutica e exegese? Há. Mas não podemos fazer como a igreja romana que proibiu a livre interpretação da Bíblia alegando que os leigos interpretariam mal. E a Confissão de Fé de Westminster, uma confissão genuinamente protestante, não perde isso de vista:

A seção VII do capítulo I – Da Escritura Sagrada – assevera: Na Escritura não são todas as coisas igualmente claras em si, nem do mesmo modo evidentes a todos; contudo, as coisas que precisam ser obedecidas, cridas e observadas para a salvação, em um ou outro passo da Escritura são tão claramente expostas e explicadas, que não só os doutos, mas ainda os indoutos, no devido USO DOS MEIOS ORDINÁRIOS, podem alcançar uma suficiente compreensão delas. Ref. II Pedro 3:16; Sal. 119:105, 130; Atos 17:11. Observe bem: “...os indoutos”... “...podem alcançar uma suficiente compreensão delas”. Porém, o ponto essencial em questão é que NÃO ESTÁ HAVENDO USO DEVIDO DOS MEIOS ORDINÁRIOS, que supõem princípios de interpretação lógica e racional. Este é o problema! Protestantismo é uma religião do Livro. Nós somos criaturas racionais, criados para agir inteligentemente. Temos intelecto; vontade, emoções e mente. John Owen, um homem erudito e piedoso, bem disse que o homem foi criado para conhecer o bem por intermédio de sua mente, sem descartar a emoção (esta, em seu devido lugar, deseja e apega-se ao bem conhecido). A emoção nos impulsiona, mas não antes da verdade adquirida através da Palavra de Deus. Disse Owen: “As emoções talvez sejam o leme do navio, mas a mente é que deve pilotar; e a carta marítima a ser seguida é a verdade revelada por Deus” [na Sua Palavra escrita]. E como bem resumiu, ainda disse: “O intelecto é o olho da alma”. Daí podermos dizer que o misticismo é cego! É um movimento anti-revelacional!

A BÍBLIA É TUDO O QUE PRECISAMOS, NADA MAIS É NECESSÁRIO! Não precisamos de novas revelações, sonhos, visões, anjos, êxtase, vozes ou reações físicas. O SOLA SCRIPTURA é suficiente! “O Cristianismo fundamenta-se na Revelação. Nosso conhecimento de Deus abrange aquilo que Lhe aprouve nos revelar a respeito de Sua Pessoa. Todos os esforços humanos destinados a conhecê-Lo levam à falsas religiões ou misticismo. Ou somos submissos à Sua Revelação ou à nossa imaginação” (Bruce Bickel). Podemos afirmar que a fonte de conhecimento da linha carismática-pentecostal não é Deus! Ou então temos de concordar que Deus nos dá um conhecimento direto pela excitação dos sentimentos, independentemente do ensino de Sua Palavra.

Respondeu Abraão: Eles têm Moisés e os Profetas; ouçam-nos. (Lc 16.29)

“O conhecimento é indispensável à vida e ao serviço cristãos. Se não usamos a mente que Deus nos deu, condenamo-nos à superficialidade espiritual, impedindo-nos de alcançar muitas riquezas da graça de Deus. Ao mesmo tempo, o conhecimento nos é dado para ser usado, para nos levar a cultuar melhor a Deus, nos conduzir a uma fé maior, a uma santidade mais profunda, a um melhor serviço. Não é de menos conhecimento que precisamos, mas sim de mais conhecimento, desde que o apliquemos em nossa vida”. (John Stott).
Escreveu Heber C. de Campos: “Tudo o que a igreja deve crer sobre Deus e seu relacionamento com os homens, está registrado nas Santas Escrituras que foram escritas, na sua grande maioria, pelos profetas do Antigo Testamento e pelos apóstolos do Novo Testamento”.

Finalmente é sempre bom ouvirmos repetidas vezes a exortação pastoral de MacArthur Jr., “Se algum dia alguém o perturbar dizendo que você precisa dessa ou daquela experiência mística ou espiritual, NÃO ACREDITE. O Espírito de Deus, agindo por meio de Sua Palavra é suficiente para torná-lo totalmente maduro em Cristo”.

À lei e ao testemunho! Se eles não falarem desta maneira, jamais verão a alva. (Is 8.20)

Que Deus tenha misericórdia da ignorância de tantos que se dizem cristãos, e que abra os olhos daqueles que, em Sua Igreja, estão se afastando de Suas verdades, levando-os de volta à pureza e simplicidade devidas a Cristo. Que eles venham a entender que NÃO HÁ OUTRO FUNDAMENTO senão dos apóstolos e profetas.

Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular; no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para santuário dedicado ao Senhor, no qual também vós juntamente estais sendo edificados para habitação de Deus no Espírito. (Ef 2.20-22).

Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias, nos falou pelo Filho... (Hb 1.1,2 a).